O semiárido brasileiro é uma região muito ampla e diversa, com grande variação de clima, solo e vegetação. No semiárido de Minas Gerais, por exemplo, existem áreas de transição entre a Caatinga, o Cerrado e a Mata Seca, o que faz com que as condições ambientais mudem bastante de um município para outro. A precipitação média anual em regiões semiáridas, geralmente varia entre 300 e 800 milímetros, caracterizando um clima seco, com chuvas mal distribuídas ao longo do ano. Mesmo nessas condições, a pecuária é uma atividade de grande importância econômica e social, sendo baseada, em sua maioria, no uso de pastagens.
Apesar disso, estima-se que mais de 80% das pastagens do semiárido mineiro apresentem algum nível de degradação. Essa degradação reduz a produção de forragem, diminui o ganho de peso dos animais, aumenta os custos da atividade e compromete a sustentabilidade da pecuária ao longo do tempo. Embora o clima seja um fator limitante importante, ele não é o único responsável por esse cenário. Grande parte dos problemas está relacionada a falhas no manejo das pastagens e na escolha inadequada das espécies forrageiras.
Entre as principais causas da degradação estão a escolha incorreta do capim para as condições da área, o preparo inadequado do solo, o uso de sementes de baixa qualidade, a falta de correção e adubação do solo, além do manejo inadequado do pastejo, principalmente a superlotação e a ausência de períodos de descanso da pastagem. Em muitos casos, opta-se por espécies que não estão adaptadas à realidade da propriedade, o que leva à perda rápida de vigor do pasto e à necessidade constante de reforma da área.
É importante destacar que não existe um capim ideal que resolva todos os problemas. Cada espécie forrageira possui características próprias, com diferentes níveis de tolerância à seca, exigência de fertilidade do solo, resistência a pragas, como a cigarrinha, e resposta ao manejo. Um capim que apresenta bom desempenho em uma fazenda pode não apresentar o mesmo resultado em outra, mesmo dentro da mesma região, justamente pelas diferenças de solo, chuva e forma de manejo.
Para auxiliar nessa tomada de decisão, em meu livro “Pasto no Sertão”, elaborei uma chave ilustrada que pode auxiliar na escolha de espécies forrageiras, que funciona como um guia prático e visual para o produtor. Essa chave orienta a escolha do capim a partir de perguntas simples, baseadas nas condições reais da propriedade, como a quantidade média de chuvas da região, o nível de fertilidade do solo, a ocorrência de cigarrinhas e a capacidade de investimento em correção e adubação. À medida que o produtor responde a essas perguntas, ele é conduzido, passo a passo, até o grupo de espécies mais indicadas para sua situação específica (Figura abaixo).
O uso da chave ilustrada facilita a compreensão porque associa informações técnicas a imagens, tornando mais fácil identificar quais capins são mais tolerantes à seca, exigem solos mais férteis e quais apresentam maior resistência a pragas. Dessa forma, o produtor evita escolhas baseadas apenas em recomendações genéricas ou modismos e passa a selecionar a espécie mais adequada às condições de sua fazenda. A chave não substitui a assistência técnica, mas é uma ferramenta importante para reduzir erros na implantação das pastagens e aumentar as chances de sucesso da atividade.
Assim, o sucesso da pecuária no semiárido depende fundamentalmente de uma boa escolha da forrageira, associada ao manejo adequado do solo e do pastejo. Pastagens bem manejadas são mais resistentes aos períodos de seca, apresentam maior longevidade e proporcionam maior segurança produtiva ao produtor. No semiárido, mais importante do que buscar o capim mais produtivo é escolher aquele que melhor se adapta à realidade da propriedade.
Se você quer saber mais sobre sistemas pastagens adaptadas a regiões semiáridas leia o livro “Pasto no Sertão” acessando o link: https://pastofert.com/produtos/pasto-no-sertao-fundamentos-para-o-manejo-resiliente-em-regioes-secas/
Elaboração conteúdo técnico:
Prof. Dr. Edson Marcos Viana Porto – Docente do Departamento de Ciências Agrárias da Unimontes.
