Como fazer uma boa formação de pastagens

Profa. Janaína Martuscello (UFSJ)

Formar bem um pasto é fundamental para o sucesso da atividade pecuária. Por isso, seguir algumas regras técnicas aumenta (e muito) a chance de uma implantação eficiente, produtiva e duradoura.

1) Análise de solo

Avaliar o solo é o primeiro passo. Análise de solo não é gasto: é investimento. Sem conhecer o solo, fica difícil corrigir deficiências e planejar a adubação de forma eficiente.

Hoje, é possível enviar amostras pelos correios; portanto, não há justificativa para deixar de analisar alegando falta de laboratório na cidade. Com o resultado em mãos, é essencial fazer uma interpretação adequada. Se você busca uma interpretação correta e direcionada para pastagens, a PastoFert oferece esse serviço.

2) Escolha do capim

Escolher corretamente a forrageira é decisivo. Não existe “capim milagroso”. O ideal é optar por uma planta adaptada às suas condições de solo, clima e topografia, sem esquecer um ponto crucial: a sua capacidade de manejo.

Algumas forrageiras são mais exigentes, não apenas em fertilidade, mas também em manejo. Se a equipe não estiver treinada para manejar plantas mais exigentes e com maior acúmulo de forragem, evite escolhê-las.

Um exemplo clássico: de forma geral, braquiárias tendem a ser mais fáceis de manejar do que espécies do gênero Panicum. Uma escolha inadequada pode comprometer a produção e, somada à falta de manejo, levar à degradação do pasto.

3) Qualidade da semente

Use sementes de qualidade. No custo total de formação do pasto, a semente representa, em geral, até cerca de 10%; por isso, não vale a pena economizar nesse item.

Respeite a densidade de semeadura recomendada e, após lançar a semente ao solo, faça a cobertura. Esse cuidado melhora o contato semente-solo e favorece a germinação, contribuindo para uma formação mais uniforme.

4) Calagem

A calagem é fundamental para que o solo tenha condições de receber a semente e para melhorar o aproveitamento dos adubos. O calcário corrige o pH, neutraliza o alumínio (tóxico para as plantas) e fornece cálcio e magnésio, nutrientes essenciais, especialmente para o bom desenvolvimento do sistema radicular.

Como a calagem precisa de tempo para reagir, o ideal é realizá-la com antecedência. Por isso, recomenda-se fazer a análise de solo ao final da estação chuvosa anterior à reforma ou à implantação, garantindo tempo para planejamento e reação do calcário.

É comum ouvir que o calcário “demora 90 dias para reagir”, mas isso deve ser visto com cautela: sem chuva, não há reação eficiente. Por outro lado, se em 30 dias houver um acumulado de 200–300 mm, a reação pode ocorrer de forma mais rápida.

5) Adubação fosfatada

O fósforo é fundamental para o desenvolvimento do sistema radicular e para o perfilhamento. Como a maioria dos solos brasileiros é pobre em fósforo, a análise de solo indicará a necessidade de adubação fosfatada.

A recomendação geral é aplicar o adubo fosfatado no momento da semeadura.

6) Primeiro pastejo

O primeiro pastejo não deve ocorrer quando o pasto está “sementeando”. Essa prática pode trazer prejuízos, pois pastos nessa fase tendem a apresentar menor valor nutritivo, com mais fibra, menos proteína e maior risco de acamamento.

O momento correto do primeiro pastejo é quando a planta atinge a altura de manejo. Recomenda-se realizar esse primeiro pastejo com animais leves, para promover desfolha controlada. Lembre-se: o primeiro pastejo é para beneficiar a planta, não o gado. Ele estimula o perfilhamento, ajuda a ocupar espaços vazios e aumenta a competitividade do pasto contra plantas daninhas.

7) Controle de plantas invasoras

O controle deve ser rigoroso antes da implantação. Eliminar a vegetação anterior é essencial para reduzir a matocompetição.

Se, após a germinação, houver infestação de plantas daninhas, o controle deve ser feito antes da adubação de cobertura. Assim, após o pasto germinar, controle as invasoras (especialmente as de folha larga) e só depois realize a adubação de cobertura com nitrogênio e potássio.

Considerações finais

A boa formação de pastagem depende de pontos-chave: escolha adequada da forrageira, semente de qualidade, calagem, adubação (especialmente fósforo na semeadura e cobertura bem planejada) e primeiro pastejo no momento correto.

Uma das principais causas de degradação de pastagens no Brasil é a má formação do pasto. Portanto, atenção máxima a essa etapa. Se tiver interesse em aprofundar o tema, leia o livro “Seu Pasto É Lavoura”, disponível em www.pastofert.com